BUENOS AIRES E MORENO

[foto: Elias Gibran]
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Para finalizar o álbum que estamos fazendo em conjunto com o grupo argentino No Chilla, seguimos para Buenos Aires logo no comecinho do ano, para intensos dias de trabalho em conjunto. Na capital argentina, rolou oficina Batrata no Vicente El Absurdo e no El Aboroto. Os dois lugares também abrigaram os primeiros shows do projeto, um teste para as músicas apresentadas ineditamente. A leitura latinoamericana das heranças banto, iorubá e mandinga, marca de Viamão, arrebatou os hermanos.

Oito faixas, no entanto, ainda precisavam ser gravadas e fomos nos refugiar em uma chácara em Moreno, cidade próxima à capital. À tranquilidade e beleza do local somou-se a hospitalidade de seus donos, o casal Carlos e Lídia, pais de Marcelo, integrante do No Chilla (impossível não lembrar de casa, de Minas, da famosa hospitalidade mineira).

As gravações começaram no sábado à tarde. Quem estava de fora, notava um clima um pouco apreensivo, com as primeiras músicas sendo repetidas várias vezes. A principal preocupação era com o tempo disponível. Um final de semana seria suficiente para tanto trabalho? Era a pergunta que parecia ser feita apenas no pé de ouvido.

Uma vez acertado o tom, no entanto, a música fluiu, aconteceu.

Ogum na areia, que chorou, que chorou, que gerou o mar.
Que chorou, que chorou, que gerou o mar.
Gerou o mar.
Ara se eu não vou chorar, ara se eu não vou chorar
Me derramar.

Alguns choraram, se derramaram. Nos intervalos, mate, café, empanadas, vinho e a bateria era recarregada para mais música, música nova, generosa sintonia, sábias decisões. “Por duas vezes eu parei e pensei como estava feliz!”, disse Covre.

A amizade e a generosidade geraram, por fim, Viamão.